
Jornalistas da Folha de Londrina começaram o ano com problemas financeiros. Isso porque a gestão de Nicolás Mejía, dono da empresa, segue desrespeitando trabalhadores e até mesmo zombando de acordos celebrados na justiça, entre eles uma decisão que prevê multa por salários pagos em atraso. Os salários seguem atrasando em 2026, como atrasaram nos últimos meses de 2025. Os salários de janeiro foram pagos em cinco vezes, algo que também aconteceu em fevereiro. Até quando?
O veículo de comunicação, principal referência em Londrina, segue em situação lamentável. Quem dá cara à Folha de Londrina são jornalistas, que levantam e levam as informações para leitores e internautas. O trabalho deles é o visível, mas há outros funcionários importantes para que a Folha chegue às bancas e aos sites, que também são afetados pela falta de pagamentos em dia. Quem labora na recepção, nas vendas e até mesmo na limpeza tem sido prejudicado com salários em atraso, ao que chegou ao conhecimento do Sindijor Norte PR. Quem sai de férias também tem tido dificuldades para receber em dia. Até mesmo prestadores de serviço terceirizados não estão recebendo em dia.
Na justiça, o veículo que pertence à Nicolás Mejía se comprometeu a pagar os salários em dia, sob multa escalonada que pode chegar a 100% do valor devido. Isso aconteceu no final de 2022. Mesmo acordando pagar, a Folha de Londrina seguiu atrasando salários. Além dos atrasos, os 13º salários de 2024 e 2025 não foram integralmente pagos, isso sem contar depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deixaram de ser feitos ainda em 2022, mesmo ano do acordo que é descumprido.
Por ação deste sindicato que representa jornalistas, a Folha de Londrina, de Nicolás Mejía, segue em fase de ser responsabilizada por descumprir o acordo e desrespeitar direitos trabalhistas básicos. Mas não é só o acordo da justiça, que tem o sindicato como autor da ação, que a empresa descumpre determinações. Há outras ações, essas individualizadas, onde há o mesmo desrespeito.
Mesmo com diversos problemas em sua própria “casa”, Nicolás Mejía preside o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Paraná (SINDEJOR-PR), que representa empresários do setor, desde 2023. Ele foi reeleito neste ano para ocupar o cargo até 2029 “com o compromisso de fortalecer as bases do nosso segmento”, ao que disse em uma publicação no Instagram. Quais as bases desse segmento, ao qual Nicolás se refere? A base da Folha de Londrina, com os recorrentes atrasos salariais e desrespeito à justiça?
Vale lembrar que Nicolás Mejía tem o controle total da Folha de Londrina após alteração contratual da empresa, realizada em 1º de setembro de 2019, demonstrando que ele, como sócio, adquiriu 122 mil cotas da sócia Alessandra Andrade Vieira, passando a controlar 246,5 mil cotas. Alessandra é filha do ex-presidente do Bamerindus José Eduardo Vieira, que esteve no controle da Folha de Londrina até sua morte, há dez anos.
O Sindijor Norte PR reforça o apoio aos jornalistas e demais trabalhadores da Folha de Londrina, uma vez que o acordo judicial, descumprido até hoje pela empresa, se estende a todos os funcionários. Qualquer multa, calculada no âmbito do processo judicial, será revertida aos próprios trabalhadores.
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