
Dirigentes do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina (Sindijor Norte PR), enviaram nesta quinta-feira (13) uma contraproposta às entidades que representam as empresas de comunicação no Estado. Os sindicatos pedem que os salários da categoria sejam reajustados em 4,15%, retroativo a maio de 2026; que os valores atrasados desde a incidência da data-base sejam parcelados em até quatro vezes, junto com a remuneração dos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2026; e que os salários sejam reajustados em 0,85% a partir de novembro de 2026, atingindo então o índice cumulativo de 5% (4,15% + 0,85%).
“Já se passaram mais de três meses desde que venceu a nossa data-base. Apresentamos nossa pauta de reivindicações há 140 dias, tivemos quatro mesas de negociação, e até uma reunião mediada pela Superintendência do Trabalho e Emprego do Paraná – nossa contraproposta é bastante viável diante da situação financeira que estão as empresas de comunicação do Paraná”, destaca a presidenta do SindijorPR, Aline Reis. As perdas acumuladas nos salários de jornalistas profissionais desde a pandemia somam 10,41% de defasagem. Por outro lado, desde 2019, somente os quatro maiores grupos de comunicação do Paraná (GRPCOM, Grupo Massa, Grupo RIC e Grupo Bandeirantes) acumularam mais de R$ 761 milhões em renúncias fiscais de acordo com o Portal da Transparência do Governo Federal.
“A intransigência de empresários está provocando mais perdas para a categoria. Enquanto a negociação se arrasta, aumenta nossa insegurança. Insistimos na proposta de chegar aos 5% para fechar o acordo. Já concedemos muito, está na hora das empresas cederem um pouquinho,” argumenta Ayoub Hanna Ayoub, que preside o Sindijor Norte PR. Ele esteve em Curitiba, na quarta-feira (12) para participar com outros representantes sindicais das reuniões na Superintendência do Trabalho e Emprego do Paraná e na sede do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Paraná (SERT-PR).
Negociação arrastada
Em 19 de março os filiados do SindijorPR e do Sindijor Norte PR definiram a pauta de reivindicações para renovar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027. A primeira mesa de negociações foi em 15 de abril, e ainda segue travada porque os empresários se recusam a conceder qualquer reajuste salarial para além dos 4,11% referentes à reposição do INPC incidente na data-base. De acordo com o monitoramento realizado pelo Dieese, a maioria das categorias de trabalhadores brasileiros vem garantindo aumento real nas negociações coletivas.
A justificativa dos sindicatos patronais é que as empresas não se planejaram para trabalhar com valores além da reposição do índice inflacionário e que, na visão dos empresários, o INPC já asseguraria a manutenção do poder de compra da categoria.


